Thursday, February 10, 2011

iwndiwn-17

O cabelo não é mais vasto, aquele menino deve ter entendido, quando ele olha para o futuro nota-se a curiosidade nas pontes feitas por ele; aquelas que explicam muito, mas que se desconhecem.

Uma insônia repentina, lençóis no chão, uma dama no sofá, a TV ligada; ela parece inútil. Ao desliga-la toda a insônia se esvai numa estranha vontade de dormir novamente, mas não antes de um copo d’agua. A água se esvai como o sono num gole e parece funcionar como um sonífero, pois o sono é instantâneo ao se deitar. Silêncio absoluto, gotas caindo na pia soam como marteladas.

Uma sirene soa, mas não explosiva e sim de forma crescente e contínua; os olhos abrem despertos sem saber oque acontecia, se levanta olhando ao redor. A dama não está lá e não há lençois no chão, apenas a mesma TV, desligada. O cômodo está com cortinas e paredes vinho e um tapete vermelho, não é o mesmo cômodo; e a sirene não para de tocar. Abre-se a porta e um corredor mostra-se, longo, meio escuro, com algumas portas, não se sabe onde está nem o porque de se estar ali; e o corredor é o único caminho.

3 passos pelo corredor e repentinamente se olha pra trás, um instantâneo calafrio surge pois há uma parede com um quadro onde havia a porta de onde se veio. As luzes piscam e mais alguns passos relutantes e uma das portas se abre e o coração se acelera num susto contínuo, um bode sai dela, e com seus chifres majestosos vira o olhar na sua direção, fixo e sem pupilas. A boca do mesmo se abre inúmeras vezes no que parece algo sendo dito e ele caminha em sua direção; e à medida do caminha do bode as palavras tornam-se contínuas e isso faz com que tudo se torne turvo e o corredor vibre junto com a visão em intervalos de segundos blackouts de milisegundos.

Desespero e uma agonia gélida, e a tontura causada por todo esse ambiente aterrador que acaba com toda a noção do real, o faz tombar de joelhos e cair deitado em seguida… paralisado, coração pulsando incessantemente, olhar amedrontado. “O que está acontecendo? Nada está acontecendo.” Este pensamento grita inúmeras vezes em sua mente, a única coisa a ser feita é implorar pra que este suposto pesadelo não seja real.

O bode passa direto pelo corpo tombado e para diante do quadro encarando-o, era para ele o tempo todo que o bode olhava. Não se consegue virar a cabeça à tempo de ver oque tinha no quadro; apenas à tempo de ver o bode pulando para dentro do quadro e uma explosão de sangue espalhando-se por toda a parede e parte do corredor. Olha-se a parede estático vendo o sangue escorrer e dando lugar à uma porta com uma pintura desfigurada meio rabiscada de um homem com cabeça de bode segurando uma lança em uma mão e fazendo um gesto com a outra levantada.

Os sentidos se realinham e consegue-se levantar, curioso e espantado e ao mesmo tempo aliviado de tudo estar aparentemente normal agora; a sirene não toca mais. Abre-se a porta com certa repulsa por causa do sangue, mas o desejo agoniante de alguma coisa que pudesse explicar os absurdos surreais que aconteceram era maior. A porta leva à rua, está claro porém nublado com uma forte neblina, uma brisa levemente fria o atinge. Dá-se alguns passos na intenção de se ver de que casa se saiu e ao virar-se ouve-se ao longe um sino badalar 3 vezes, e a sirene inicia seu toque novamente, crescente e contínuo. Tudo torna-se turvo novamente e a visão começa a escurecer à volta, mas a tontura e o giro contínuo da rua parecem tão aconchegantes dessa vez que os olhos apenas se fecham parecendo-se deitar numa nuvem de plumas.

Os olhos abrem despertos; uma insônia repentina, lençóis no chão, uma dama no sofá, a TV ligada.

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